Publicado em Emoções

A Arte do Orgulho

“ Se o seu inconsciente pudesse falar conosco, nos diria: “Prefiro ter um espinho cravado no coração e habituar-me ao ardor de sua pontada a suportar o tormento da angústia. Prefiro me resignar a sofrer de uma vez por todas a ser torturado pela incerteza.”

Como se todo o seu ser, impregnado de tal amargura, se manifestasse em sua atitude reservada, um pudor, uma certa timidez quase física, que está mais perto do orgulho do que supomos, e sua irresistível tendência a essa solidão que ele encontra todos os dias quando senta diante do seu cavalete, as tintas espalhadas pela paleta. E por trás da amargura, detectamos, como nos melhores homens, um fundo de maldade, até mesmo de agressividade. Quando infelizes as criaturas não raro tornam-se acrimoniosas. Por trás da acrimônia, discernimos um pouco de egoísmo e, por trás do próprio egoísmo, alguma coisa mais azeda ainda, um certo pessimismo que vai se intensificando com a idade. Valloton sentiu muitas vezes sozinho e experimentou todos os modos da solidão. Solitário pelo caráter, por sua origem estrangeira; por sua probidade; pelo orgulho de seu rigor, pela inflexibilidade de seus princípios e opiniões; por sua arte, isto é, pelo que exigia de si mesmo.” 9 Lições Sobre Arte e Psicanálise – J.-D Nasio, Zahar.

 

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Autor:

Buscadora, terapeuta floral, artista, bailarina e purpurina.

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